terça-feira, 29 de março de 2016

Os Três Elementos e Awen (ou Imbas)

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Costa Oeste da Irlanda

Por Ávillys d’Avalon.

Diferente da concepção grega comum nos dias de hoje sobre os Elementos da Natureza, os celtas alegavam a existência de três elementos naturais: Nwyfre, Calas e Gwyar, respectivamente sopro / vento, terra e mar / água. O fogo então se torna a representação e materialização de Awen (ou Imbas). Uma razão para esse fato é de que o fogo transmuta, transforma e conduz os outros três elementos, assim sendo ele é muito mais que um elemento, mas a manifestação do fogo divino primordial: Awen.
            
O primeiro elemento é Nwyfre, o sopro, o vento. Nwyfre é o elemento celestial, é o Ar. A ele se relacionam às coisas do Reino do Céu. Dessa forma, as coisas regidas por Nwyfre se nutrem da inspiração e dos dons divinos. É o elemento responsável pelo sopro de vida e pela manutenção da vida.
            
O segundo elemento é Calas, a terra. Calas é o elemento terreno, é a própria Terra onde se pisa. A ele se relacionam as coisas do Reino da Terra. As coisas regidas por Calas tendem a ser firmes, sólidas, buscam e proporcionam sempre sustentação. É o elemento responsável por da base e sustento a tudo.
            
O terceiro elemento é Gwyar, o mar, as águas. Gwyar é o elemento marítimo, é a Água. A ele está relacionado a condução, os sentimentos e emoções e as jornadas. É o elemento portal que possibilita o acesso e a viagem a outras terras (inclusive as divinas). Também é o elemento que traz a intermediação, pois o mar não é tão sólido quanto a terra e nem ar como o vento. É o elemento responsável pelas emoções e pelas jornadas.
            
Há um pouco de cada elemento em todas as coisas, mas essencialmente, cada pessoa, cada ser, cada coisa é predominada por um ou outro elemento (independente do elemento astrológico de regência). Reconhecer seu elemento e trabalha-lo é uma necessidade primordial como maneira de afinar-se no mundo e entender seu papel nele.
            
Pessoas de elemento Nwyfre são mais dadas a inspiração, buscam suas práticas do coração e não dos estudos que fazem. Confiam cegamente em sua intuição e no seu eu interior para tudo. Se mostram mais voláteis a mudanças e a tomadas de decisão e tendem a ser bem imediatistas em suas reações.
            
Já pessoas de elemento Calas são muito centradas, coesas e dedicadas aos estudos. Estudam muito e analisam muito algo antes de praticar e só tomam suas decisões após muito tempo de análise. Costumam ponderar de mais as coisas antes de atestar sua confiança ou posicionamento. São muito estáveis em suas decisões e no que querem da vida e não costumam demonstrar sempre o que sentem ou pensam. Costumam ser mais analisadoras e introspectivas.

Por fim, pessoas de elemento Gwyar atuam no meio termo. Ao mesmo tempo que pesquisam e estudam suas ações e práticas, também ouvem sua intuição e modelam as práticas de acordo a conciliar as duas coisas: nem só estudo, nem só intuição. Igualmente são voláteis e estáveis e passíveis a mudanças de humor. São facilmente conduzidas por pessoas que demonstrem mais sabedoria, mas igualmente conduz aqueles que buscam aprender com ela. Costumam ser pessoas sentimentais ou emotivas.
            
É necessário que reconheça e trabalhe seu elemento a fim de melhor afinar sua relação consigo mesmo no trato de magia. Mas, acima de tudo, é necessário que se atente aos perigos: a volatilidade do ar, o emocional da água, e o excesso de centralidade da terra. Trabalhar os elementos é entender que tudo está conectado e nesse passo, é preciso que também se conecte e aceite as influências dos demais elementos para aprimorar e melhorar que você é.
            
Conduzindo os três elementos está Awen (gaulês) ou Imbas (irlandês), a conexão sagrada de tudo. Awen é o fogo sagrado que queima na frente da Árvore do Mundo. É a mais pura magia e a conexão sagrada com todas as coisas. É o fogo que queima na testa dos artistas, é a inspiração sagrada que guia os Druidas. É a magia primordial e de onde toda magia e toda a vida vem. Awen é o Fogo.
            
E o fogo transmuta a terra, transforma a água, conduz e consome o ar. Ou seja, o fogo é aquele que transmuta a existência, transforma os sentimentos e os purifica, e absorve o divino, alimentando-se dele. Por essa razão, todo fogo é a expressão e a manifestação de Awen.

Alcançar Awen, seria como alcançar o Nirvana, é a meta de todo druida. Mas é algo gradual. O estágio de conexão e comunhão com Awen possibilita o transe e a transcendência espiritual também como manifestação corpórea, possibilitando que a pessoa transcenda sua existência, conectando-se com tudo e se aprofundando em mistérios muito além do mencionável. A conexão com Awen transcende a espiritualidade.



Oração de invocação aos Reinos e Elementos:

“Eu invoco o Reino do Céu, o Reino de Nwyfre (do Ar),
O Reino do Acima.
Lar das criaturas que voam e planam.
Eu invoco o Reino do Céu, o Reino de Nwyfre (do Ar),
O Reino do Acima.
Lar das criaturas que voam e planam.
Eu invoco o Reino do Céu, o Reino de Nwyfre (do Ar),
O Reino do Acima.
Lar das criaturas que voam e planam.
Eu invoco e me uno ao Reino do Céu.

Eu invoco o Reino da Terra, o Reino de Calas (da terra),
O Reino do Meio.
Lar das criaturas que andam e rastejam.
Eu invoco o Reino da Terra, o Reino de Calas (da terra),
O Reino do Meio.
Lar das criaturas que andam e rastejam.
Eu invoco o Reino da Terra, o Reino de Calas (da terra),
O Reino do Meio.
Lar das criaturas que andam e rastejam.
Eu invoco e me uno ao Reino da Terra.

Eu invoco o Reino do Mar, o Reino de Gwyar (das águas),
O Reino do Abaixo e ao meu Redor.
Lar das criaturas que nadam e mergulham.
Eu invoco o Reino do Mar, o Reino de Gwyar (das águas),
O Reino do Abaixo e ao meu Redor.
Lar das criaturas que nadam e mergulham.
Eu invoco o Reino do Mar, o Reino de Gwyar (das águas),
O Reino do Abaixo e ao meu Redor.
Lar das criaturas que nadam e mergulham.
Eu invoco e me uno ao Reino do Mar.”


Oração de evocação dos elementos:

“Eu respiro Nwyfre e por ele sou conduzido(a).
A força e inspiração dos Deuses estão comigo.
Eu ando sobre Calas e por ela sou sustentado(a).
Eu tenho comigo a alegria das fadas.
Gwyar me rodeia e me preenche,
Através dele eu faço minha jornada.
Awen é meu espírito,
E com ele também sou sagrado(a) nessa morada.”



Música indicada para meditação com Awen, clique aqui.



Sugestões de leituras:

Seneween, Rowena A. O que são os 30 dias druídicos In Templo de Avalon [S. I.]. Disponível em <http://www.templodeavalon.com/modules/smartsection/item.php?itemid=51>.


Referências:

Schleichuberti, João Eduardo. Elementos Místicos do Druidismo e sua interconexão e uso prático [palestra] In VI EBDRC. Circulação interna. Curitiba, 2015.

Seneween, Rowena A. 2º Dia: Cosmologia In Templo de Avalon [S. I.]. Disponível em: <http://www.templodeavalon.com/modules/smartsection/item.php?

_________________. 4º Dia: Três Reinos In Templo de Avalon [S. I.]. Disponível em: <http://www.templodeavalon.com/modules/smartsection/item.php?itemid=55>.

_________________. 13º Dia: Inspiração In Templo de Avalon [S. I.]. Disponível em: <http://www.templodeavalon.com/modules/smartsection/item.php?itemid=64>. 

Ybyraptã, Ëldrich Hazel. Awen e a Tradição Oral dos Druidas In Templo de Avalon [S. I.]. Disponível em: <http://www.templodeavalon.com/modules/articles/article.php?id=117>.