sábado, 5 de janeiro de 2019

Panteão Clânico - Parte 1: a Deusa Danú

Os textos dessa série serão escritos sempre pelo nosso druida, Ávillys d'Avalon, e assim trazem as percepções, estudos e compreensões do druida e de nossas práticas clânicas, muitas vezes com um caráter profundo de gnose pessoal, ou seja, não dependendo muito de referências bibliográficas específicas. Muitas das bibliografias sobre os deuses celtas são profundamente pessoais e subjetivas já que os druidas do passado não nos deixaram efetivamente nenhum texto escrito ou orientação fundamental. Esse em específico, tem caráter profundamente de gnose pessoal, uma vez que é arduamente difícil achar algo histórico e antigo sobre Danú.


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Por Ávillys d'Avalon.


Essa deusa, particularmente, atinge muitas controvérsias entre druidistas reconstrucionistas e seguidores da espiritualidade céltica. Por vários anos, por um erro de tradução, acreditava-se que o nome “Danú” era uma corruptela do nome da deidade “Anu”, considerada a Grande Mãe irlandesa, cujo corpo seria a própria terra da Irlanda, e cujo leite teria amamentado os Deuses. Assim, o nome Tuatha dé Danann foi erroneamente traduzido como “Tribo de Danú”.

Com o passar do tempo, essas falhar foram se evidenciando, uma vez que não há nenhuma menção a Danú na saga irlandesa, e quando a palavra “danann” aparecia, vinha como genitivo de “danand” (talento). A palavra “tuatha” também foi demarcada como plural de “tuath”, o que condiz com os mitos que mostram várias tribos unidas. E assim, a tradução mais correta seria “Tribos dos Deuses Talentosos”, já que mitologicamente qualquer um com talento realmente excepcional seria aceito entre os Tuatha dé Danann, como aponta ao fato deles reunirem pessoas de vários povos (até inimigos como os Fomores), além do mito de Lugh que é cobrado a ele um talento para entrar na tribo e ele é aceito por mostrar possuir 365 talentos.

 Assim, inicialmente, parecia ser descartada a ideia de Danú ser uma corruptela de Anu, mas não faria sentido falar que ela era uma deidade inexistente, uma vez que ela ainda é venerada fortemente na Irlanda. Ao menos para o clã, não fazia sentido...
             
Em minhas buscas, deparei em uma conversa com uma pessoa de grande conhecimento e renome entre a comunidade céltica brasileira, e, conversando sobre isso, ela apontou para uma possibilidade pouco observada: Danú pode ser uma corruptela da deusa belga Don. É um fato mitológico de que os Fir Bolg (povo belga) habitou a Irlanda antes dos Tuatha dé Danann, e que muitos deuses Fir Bolg foram aceitos entre os Tuatha dé, entre eles a deusa Tailtiu, mãe adotiva de Lugh. Assim, faz sentido que Don, deusa da fertilidade, das chuvas e dos rios, também tivesse sido aceita e incorporada no culto às deidades locais, se mostrando como uma deusa antiga e pouco descrita nos mitos... Deusa que, na mitologia Belga, teria levado seu povo, através dos rios, a uma terra onde eles poderiam prosperar: a Irlanda; onde, mitologicamente, tiveram os anos mais prósperos e pacíficos da Irlanda (o reinado dos Fir Bolg).
             
Saber disso, fez todo sentido, pois Danú sempre se mostrou no clã como uma deusa das águas, da chuva, da lama, da terra fértil, exatamente como Don entre os Fir Bolg. E assim Danú é reverenciada entre nós: uma deusa antiga, responsável pela manutenção da terra, da fertilidade, das águas pluviais e fluviais. É a chuva fina que fertiliza a terra e germina o grão. É a terra fértil, verde e coberta de grãos. É a deusa que nos promete e nos conduz ao nascimento de um novo momento, de uma nova era em nossas vidas. Deusa ancestral, cujo poder é sentido no fundo do nosso interior, é visto na terra plena e sadia, é uma deusa da promessa. Não a enxergamos como a Grande-Mãe, nem como Anu, a Terra Irlandesa, mas como a deusa que rege o solo fértil e sadio em todos os lugares. Ela pode ser pensada como a Mãe Terra, como a natureza fértil, mas, para o clã, a natureza em todo seu potencial é reverenciada através das faces de Cailleach-Beara.
 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Leanaí an Ghealach Clann abre inscrição para membros Deabhóideacha



Até o dia 31 de janeiro de 2019 o Leanaí an Ghealach Clann (LaG) está com as inscrições abertas para interessados em se tornar membros Deabhóideacha (devocionais)!

O Leanaí an Ghealach Clann é um grupo druidista e reconstrucionista céltico, sediado em Juiz de Fora / MG, junto a sua tribo fundadora: Cathair Morrigan. O Clã é devidamente filiado ao Conselho Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Céltico (CBDRC) e igualmente reconhecido pela comunidade céltica brasileira.

Membros deabhóideacha receberão mensalmente, por e-mail, materiais e orientações de estudos e práticas domésticas, o que facilita que membros de qualquer lugar podem se tornar devotos do LaG. Tais membros não têm responsabilidades e obrigações sacerdotais junto ao Clã e possuem fluidez para melhor orientar sua prática individual.

A esses membros, igualmente, será solicitada uma contribuição mínima mensal junto ao LaG de R$20,00 (vinte reais) que é destinada à manutenção clânica e cujas contas podem ser solicitadas por seus respectivos membros.

Interessados deverão preencher o formulário de inscrição (clique aqui) e aguardar contato oficial. De acordo com as respostas em questionário, os membros podem ser orientados a também participarem da Turma Semente, uma turma introdutória à espiritualidade céltica adotada pelo Clã.

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Entenda mais sobre os Deabhóideacha:

Antes de mais nada preciso explicar a você o que significa ser um “deabhóideach”... “Deabhóideach” é uma palavra irlandesa que significa “devocional”, “devoto” (cujo plural é “deabhóideacha”). O Leanaí an Ghealach Clann (comumente chamado de LaG pelos seus membros) passou a trabalhar nesse presente ano com duas categorias: Leanaí e Deabhóideacha.



Leanaí – que significa “filhos” (cujo singular masculino é “mac”, o feminino “ínion” e o feminino plural é “ínionacha”) é uma categoria sacerdotal de membros do LaG. Ser sacerdote significa assumir um de nossos sete ofícios (sacerdote, guerreiro, vidente, bruxo, bardo, vate e druida) e trabalhar, a partir das funções atribuídas a esse ofício, junto ao clã. Sacerdócio, portanto, é serviço, é tornar-se um condutor da espiritualidade e trabalhar em prol dela junto à família (clã) a fim também de atuar no mundo. Um sacerdote serve mais do que aos Deuses, ele serve à sua comunidade. 

Deabhóideacha – devotos – são membros que pertencem a família, mas que não tem o encargo nem a responsabilidade de serem um mac ou uma ínion, de serem sacerdotes. Ficam livres para vivenciar suas práticas devocionalmente, em suas casas e dependências, de acordo com o ritmo e fluxo que acreditam ser suficiente e necessário. Formam a primeira base de nossa comunidade: os devotos ao clã, ou melhor dizendo, os devotos do caminho trilhado e traçado pelo clã. Não há necessidade de participar de nossos rituais presenciais, apesar de serem sempre bem vindos neles. Não possuem responsabilidade ou dever de desenvolver ou zelar por algum ofício junto ao clã, apesar de serem livres se o quiserem fazer. Esses membros receberão por e-mail materiais de estudo e guia de práticas em casa durante aquele mês em questão. Serão orientados pelos sacerdotes do clã. Devoto é, portanto, alguém que escolheu seguir um caminho religioso, uma orientação e o segue por sua própria devoção, fé.






Ávillys d'Avalon, Mundi Tempus
Druida e Sumo Sacerdote
Leanái an Ghealach Clann



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